Brindes tradicionais estão dando espaço a oficinas criativas e experiências sensoriais que aproximam marcas, colaboradores e clientes. Especialistas apontam que empresas têm buscado ações capazes de criar conexões mais duradouras do que um presente físico.

Canecas, agendas, ecobags e kits personalizados continuam fazendo parte das estratégias de relacionamento das empresas, mas já não ocupam sozinhos o protagonismo em eventos corporativos, ações de endomarketing e programas de relacionamento. Cada vez mais organizações têm apostado em experiências capazes de envolver os participantes, estimular a criatividade e criar lembranças afetivas.

O movimento acompanha uma transformação maior no mercado. Mais do que oferecer um presente, empresas buscam proporcionar momentos que gerem pertencimento, fortaleçam vínculos e traduzam os valores da marca.

Segundo levantamento da consultoria global McKinsey, consumidores e colaboradores valorizam cada vez mais experiências significativas e personalizadas, tendência que também influencia a forma como empresas estruturam ações de relacionamento interno e externo. Ao mesmo tempo, pesquisas sobre employee experience mostram que iniciativas voltadas ao bem-estar, à participação ativa e à construção de conexões fortalecem o engajamento e a percepção positiva da cultura organizacional.

É nesse contexto que oficinas criativas, vivências sensoriais e atividades artesanais começam a ocupar espaço antes reservado aos brindes tradicionais.

Para a perfumista e aromaterapeuta Rebeca Galhardo, criadora da Cadeaux Brasil, a mudança está relacionada à forma como as pessoas passaram a valorizar experiências em vez de objetos.

“Um presente pode ser bonito e útil, mas uma experiência permanece na memória. Quando alguém participa da criação de uma vela, de um sabonete ou de uma fragrância, leva para casa muito mais do que um produto. Leva uma história que ajudou a construir.”

Do objeto à memória

Durante muitos anos, brindes corporativos tinham como principal função manter a marca presente no cotidiano do cliente ou colaborador. Hoje, esse objetivo continua existindo, mas ganhou uma nova camada.

Empresas perceberam que experiências compartilhadas geram conversas, fortalecem relacionamentos e aumentam o vínculo emocional com a marca.

Em vez de apenas entregar um kit pronto, algumas organizações passaram a convidar participantes para produzir velas aromáticas, montar sabonetes artesanais, criar perfumes para ambientes ou desenvolver lembranças personalizadas durante eventos.

O resultado é uma participação ativa, em que o colaborador deixa de ser apenas receptor para se tornar protagonista da experiência.

O fazer com as próprias mãos

O crescimento das oficinas artesanais também acompanha outra tendência importante: a valorização do trabalho manual.

Em um cotidiano marcado pela velocidade e pelo excesso de estímulos digitais, atividades que envolvem criação manual oferecem uma pausa e estimulam concentração, criatividade e interação entre as pessoas.

“Quando trabalhamos com experiências sensoriais, percebemos que as pessoas se desconectam do celular e passam a prestar atenção no momento. Existe uma troca muito rica entre os participantes. Elas conversam, experimentam aromas, compartilham histórias e criam algo único”, afirma Rebeca.

Segundo ela, esse é um dos motivos pelos quais empresas têm procurado esse formato para convenções, encontros de liderança, eventos de clientes e ações de endomarketing.

Experiência também comunica

Outro diferencial dessas oficinas é a possibilidade de personalização.

Cada experiência pode ser construída de acordo com o propósito do evento, com a identidade da empresa ou com a mensagem que a marca deseja transmitir.

A Cadeaux Brasil já desenvolveu projetos personalizados para empresas e experiências sensoriais como o Smaili Movement, criando fragrâncias e oficinas alinhadas aos objetivos de cada encontro.

“O aroma também comunica. Quando ele faz parte da experiência, ajuda a construir uma lembrança afetiva daquele momento. Isso fortalece a conexão entre as pessoas e a marca de uma forma muito mais natural.”

Uma tendência que deve crescer

Especialistas em comportamento apontam que a economia da experiência continuará ganhando espaço nos próximos anos. Em um cenário em que produtos podem ser facilmente substituídos, aquilo que as pessoas vivem tende a se tornar um diferencial competitivo.

Mais do que oferecer um presente, empresas passam a investir em momentos capazes de despertar criatividade, pertencimento e memória.

No fim, o maior valor não está no que é entregue, mas no que é vivido.

(Fotos: Divulgação)

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