Com recorde histórico de turistas, a abertura do maior museu arqueológico do mundo e o crescimento do turismo de experiência, o Egito vive um novo momento. Entre brasileiros, aumenta o interesse por jornadas que unem história, arqueologia, cultura e autoconhecimento.

Durante muito tempo, viajar para o Egito significava cumprir um roteiro quase obrigatório: fotografar as pirâmides de Gizé, visitar a Esfinge, navegar pelo Rio Nilo e conhecer o Museu Egípcio.

Hoje, essa realidade começa a mudar.

Em vez de apenas visitar monumentos, cresce o número de viajantes que desejam compreender a história por trás deles. Querem saber quem foi Imhotep, por que Saqqara mudou a arquitetura mundial, qual era a função dos grandes templos e como uma civilização com mais de cinco mil anos continua despertando debates sobre medicina, filosofia, astronomia e consciência.

Esse movimento acompanha um momento histórico para o turismo egípcio. Em 2024, o país recebeu 17,5 milhões de visitantes, o maior número já registrado, consolidando sua recuperação após a pandemia. O setor movimentou aproximadamente US$ 15 bilhões, tornando-se uma das principais atividades econômicas do país. Ao mesmo tempo, a abertura gradual do Grand Egyptian Museum (GEM) — considerado o maior museu arqueológico do mundo dedicado a uma única civilização — colocou novamente o Egito no centro do turismo cultural internacional.

Segundo a ONU Turismo, esse cenário acompanha uma tendência mundial: cresce a procura por experiências capazes de unir patrimônio histórico, conhecimento e vivências transformadoras. O turista contemporâneo quer mais do que conhecer um destino. Ele quer entender a cultura, a história e criar uma conexão genuína com os lugares que visita.

Foi justamente dessa mudança de comportamento que nasceu a Jornada Taquiônica Egito, idealizada por Ronaldo Caggisi, especialista em Egito e pesquisador da consciência humana a partir da medicina, da filosofia e do simbolismo do Egito Antigo.

Depois de conduzir uma primeira expedição em 2024, reunindo 22 brasileiros, Ronaldo prepara uma nova jornada de 18 dias e 17 noites, prevista para 2027.

Mas ele faz questão de explicar que não organiza uma excursão.

“Existem excelentes agências e excelentes guias para apresentar o Egito. A nossa proposta é diferente. Quero compartilhar anos de estudo sobre essa civilização enquanto caminhamos pelos lugares onde essa história aconteceu. O objetivo não é apenas visitar templos. É compreendê-los.”

Uma jornada pelos lugares que mudaram a história da humanidade

A experiência começa com uma parada em Dubai, antes da chegada ao Cairo. Já no Egito, o grupo visita o Grand Egyptian Museum, que reúne mais de 100 mil peças arqueológicas e abriga praticamente todo o tesouro de Tutancâmon, além do tradicional Museu Egípcio e do mercado Khan El Khalili, um dos mais antigos do Oriente Médio.

O roteiro continua em Saqqara, onde está a primeira pirâmide da história, idealizada por Imhotep. É ali que Ronaldo costuma iniciar muitas das conversas sobre medicina egípcia, consciência e desenvolvimento da civilização, mostrando por que aquele complexo representa um divisor de águas para a humanidade.

Em Dashour, o grupo acompanha a evolução arquitetônica das pirâmides. Em Abydos, considerado um dos lugares mais sagrados do Egito Antigo, conhece o templo de Seti I e a famosa Lista Real dos Faraós. Em Denderah, visita um dos templos mais preservados do país, dedicado à deusa Hathor, símbolo da música, da alegria e da feminilidade e do amor, além de ter sido um dos primeiros zodíacos da humanidade.

A jornada inclui ainda Karnak, o maior complexo religioso já construído; Luxor, conhecido como o maior museu a céu aberto do planeta; Vale dos Reis, onde foram encontrados os túmulos de diversos faraós, incluindo Tutancâmon; Abu Simbel, monumental templo construído por Ramsés II; além de um cruzeiro de três noites pelo Rio Nilo, permitindo conhecer o Egito pelo mesmo caminho utilizado pelos faraós durante séculos.

Depois seguem para o Complexo de Gizé, onde estão as pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, construídas há cerca de 4.500 anos e consideradas uma das maiores realizações da engenharia da Antiguidade.

Ao longo da viagem, Ronaldo realiza encontros exclusivos em diferentes pontos do roteiro, compartilhando seus estudos sobre a história, a filosofia, a medicina e o simbolismo do Egito Antigo. Em alguns desses locais também conduz momentos de contemplação e meditação, integrados à proposta da jornada.

“Quando entendemos por que um templo foi construído, o significado dos seus símbolos e a visão de mundo daquela civilização, a experiência muda completamente. O Egito deixa de ser apenas um destino turístico e passa a ser uma oportunidade de aprendizado e reflexão.”

Uma viagem que continua depois do retorno

A terapeuta Karinna Campos, que participou da primeira edição da jornada, afirma que voltou ao Brasil diferente de como embarcou.

“Achei que faria uma viagem para conhecer um dos lugares mais importantes da história da humanidade. Descobri muito mais do que isso. Cada templo tinha uma história, um propósito e um significado que eu jamais teria percebido em um roteiro convencional. As conversas conduzidas pelo Ronaldo e os momentos de contemplação fizeram com que eu voltasse olhando não apenas para o Egito de outra forma, mas para mim mesma.”

A empresária Vanessa Queiroz, que também integrou a primeira expedição, acredita que o diferencial está justamente no conhecimento compartilhado durante todo o percurso.

“Viajar acompanhada por alguém que dedicou tantos anos ao estudo do Egito transforma completamente a experiência. Você deixa de colecionar apenas fotografias e passa a colecionar conhecimento. Cada monumento ganha vida quando entendemos sua história e seu simbolismo. É uma viagem que permanece dentro da gente.”

Para Ronaldo, talvez esse seja o maior legado do Egito.

“Milhões de pessoas visitam o país todos os anos para conhecer suas pirâmides. Mas o que realmente atravessou cinco mil anos não foram apenas as construções. Foram as perguntas que essa civilização deixou sobre conhecimento, equilíbrio, consciência e humanidade. Quando compreendemos isso, a viagem continua muito depois do desembarque.”

(Crédito: Divulgação)

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