A tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser item obrigatório para a sobrevivência das pequenas e médias empresas no Brasil. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 72% das Pequenas e Médias Empresas (PMEs) que adotam soluções digitais reduzem custos operacionais, e empresas com automação financeira crescem até 24% mais rápido do que as que operam processos manuais.
De acordo com o especialista em gestão financeira empresarial Robson Gimenes, em 20226, o maior desafio será unir controle, previsibilidade e segurança, sem complicar a rotina de quem empreende.
“Tecnologia que não simplifica, atrapalha. O empreendedor precisa de ferramentas que trabalhem a favor da operação, não contra ela”, afirma. Ele destaca cinco pilares digitais que qualquer PME, de comércio, serviço ou microvarejo, deve adotar para se manter competitiva este ano:
1. Conta financeira separada para PJ: Pesquisas do Sebrae mostram que 38% dos microempreendedores misturam finanças pessoais e empresariais, o que aumenta endividamento e reduz margem de lucro. A separação digital entre PF e PJ é o primeiro passo para a organização real.
2. Automação de pagamentos e recebimentos: Ferramentas que geram boletos, organizam entradas e programam contas reduzem erros humanos e aumentam a previsibilidade do caixa. Um estudo da Deloitte aponta que empresas com automação reduzem até 30% de inconsistências contábeis.
3. Controle e categorização de fluxo de caixa: A falta de acompanhamento diário é um dos maiores motivos de fechamento precoce: cada 4 em 10 PMEs encerram as atividades por problemas financeiros básicos, segundo o IBGE. Soluções que mostram saldo real, despesas por categoria e projeções são consideradas essenciais para 2026.
4. Pagamentos digitais e parcelamentos mais flexíveis: O uso do Pix cresceu 28% em 2024, segundo o Banco Central, e segue como o meio preferido dos consumidores. Para o empreendedor, oferecer meios de pagamento ágeis e seguros melhora a conversão e fortalece o caixa.
5. Ferramentas que evitem bitributação e retrabalhos: Erros sobre impostos e repasses são uma das maiores dores das PMEs. Sistemas que automatizam cálculos e organizam entradas e saídas reduzem riscos fiscais e dão mais clareza ao financeiro.
Para Robson, 2026 não é sobre “ter mais tecnologia”, mas sobre usar a tecnologia certa. “O empreendedor brasileiro não precisa de complexidade. Ele precisa de previsibilidade, clareza e controle para tomar decisões melhores”, destaca.
O especialista acrescenta que o cenário competitivo exige que PMEs adotem soluções simples, mas estratégicas: “Quem dominar seu próprio caixa terá mais força para crescer, negociar e planejar. Esse será o grande diferencial em 2026”, finaliza.
