Algoritmos orientam decisões de cobrança reduzem custos operacionais e ampliam a eficiência em um cenário de inadimplência elevada
O avanço da inteligência artificial no sistema financeiro começa a alterar de forma estrutural a recuperação de crédito no país. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência das pessoas físicas encerrou 2024 em patamar próximo de 5 por cento, pressionando empresas de serviços financeiros a buscar modelos mais eficientes de cobrança.
Nesse contexto, plataformas baseadas em IA vêm sendo adotadas para analisar perfis de devedores, prever comportamento de pagamento e definir estratégias personalizadas de negociação, com impacto direto nos resultados.
José Clésio Maciel Junior, engenheiro de software e CEO da JCA Soluções & Sistemas, afirma que a tecnologia deixou de ser apenas um apoio operacional e passou a ocupar papel central na estratégia das empresas de cobrança. “A inteligência artificial permite entender o histórico do cliente, identificar o melhor canal e o momento adequado para abordagem. Isso muda completamente a lógica da recuperação de crédito”, afirma.

Dados e automação mudam a lógica da cobrança
Levantamentos do setor indicam que operações de cobrança apoiadas por modelos analíticos avançados conseguem elevar de forma relevante a eficiência da recuperação, ao mesmo tempo em que reduzem custos operacionais com discagem e estruturas extensas. A IA cruza dados de comportamento, histórico financeiro e respostas anteriores às tentativas de contato, criando trilhas de negociação mais assertivas.
Segundo José Clésio, a automação não elimina o fator humano, mas redefine sua função. “A tecnologia filtra e prioriza os casos com maior probabilidade de acordo. O operador humano passa a atuar de forma mais estratégica, com informações qualificadas em mãos”, afirma. Para ele, esse modelo contribui para ganhos de produtividade e melhora a relação com o consumidor.
Outro ponto destacado pelo executivo é a capacidade preditiva dos sistemas. “Hoje é possível antecipar o comportamento de pagamento e ajustar propostas de negociação de maneira dinâmica, com base em dados reais”, diz. De acordo com ele, essa abordagem reduz tentativas improdutivas e torna o processo de cobrança mais racional.
Pressão regulatória e eficiência operacional
A adoção de inteligência artificial na recuperação de crédito ocorre em paralelo a um ambiente regulatório mais atento à experiência do consumidor e à proteção de dados. Empresas precisam equilibrar eficiência financeira, conformidade legal e transparência nas abordagens de cobrança.
Para José Clésio, a tecnologia contribui para esse equilíbrio. “Quando as decisões são baseadas em critérios objetivos e rastreáveis, o risco de excessos diminui. A inteligência artificial ajuda a padronizar processos e dar mais controle às operações”, diz.
Com a inadimplência ainda elevada e margens pressionadas, a recuperação de crédito apoiada em inteligência artificial deixa de ser uma aposta pontual e passa a ser vista como um diferencial competitivo.
A expectativa do setor é que o uso dessas soluções se amplie ao longo de 2026, consolidando um modelo de cobrança mais eficiente, previsível e alinhado às exigências do mercado financeiro.
