O escritor e pesquisador Claugildo de Sá, conhecido como Gil de Sá, tem se destacado no final de 2025 pela força de sua produção intelectual e pela trajetória marcada pela persistência e pelo compromisso com a educação. Natural de Palmópolis, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, ele representa uma geração de autores que transformaram vivência, estudo e memória em escrita.

Filho de trabalhadores rurais, Gil de Sá passou a infância e parte da adolescência na zona rural, onde iniciou os estudos até a 4ª série. Para continuar a escolarização, percorreu diariamente cerca de oito quilômetros até a cidade, saindo ainda de madrugada e retornando apenas no fim da tarde. A rotina exigente não o afastou do objetivo de seguir estudando ao contrário, consolidou uma relação profunda com o conhecimento como instrumento de transformação pessoal.

Na juventude, mudou-se para Betim (MG) para viver com os irmãos enquanto cursava o Ensino Médio, concluído em 1998 no magistério da Escola Estadual Amélia S. Barbosa. Após a formação, retornou ao interior de Minas Gerais, onde iniciou a carreira docente, lecionando tanto na escola rural onde havia estudado quanto em instituições do ensino fundamental da região.

Sua formação acadêmica foi construída entre deslocamentos longos e escolhas difíceis. Gil iniciou o curso de História na Universidade de Santa Cruz do Sul, aproveitando períodos de férias para estudar, em viagens de ônibus que duravam até três dias. Posteriormente, transferiu-se para Paracatu (MG), onde concluiu a graduação. Paralelamente à docência na rede estadual de ensino, realizou outro antigo sonho: cursar Direito, enfrentando deslocamentos de mais de 100 quilômetros, parte deles em estradas não pavimentadas.

Essa trajetória de esforço contínuo se reflete diretamente em sua produção intelectual. Gil de Sá passou a dedicar-se à escrita e à pesquisa como formas de registrar experiências, refletir sobre identidade, memória e transformação social por meio da educação. Seus livros e estudos ganharam reconhecimento pelo cuidado com a linguagem e pela abordagem sensível das vivências humanas, especialmente aquelas ligadas ao Vale do Jequitinhonha.

Atualmente, o autor prepara novas obras, entre elas “Psiquemicídio Negro” e “Sombras da Minha Alma”, além de um projeto dedicado à história de Palmópolis, atendendo a pedidos de leitores interessados em conhecer a trajetória da cidade sob a perspectiva de quem nasceu e viveu no território.

Para Gil de Sá, a educação foi o elemento central que possibilitou ampliar horizontes e ocupar espaços antes inacessíveis. Ele costuma afirmar que o conhecimento permite compreender o mundo com mais autonomia, participar de debates, fazer escolhas conscientes e construir caminhos próprios.

Ao transformar uma história marcada por dificuldades em produção intelectual consistente, Gil de Sá consolida-se como um escritor que representa o Vale do Jequitinhonha não pela escassez, mas pela capacidade de formar pessoas, ideias e narrativas que permanecem.

(Foto: Divulgação)

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