Especialistas alertam que comportamentos automáticos no uso de plataformas digitais aumentam a exposição de dados e documentos, mesmo sem ataques externos.

A digitalização acelerada das empresas brasileiras trouxe ganhos evidentes de produtividade e agilidade. Ao mesmo tempo, criou um fenômeno pouco percebido no dia a dia corporativo: o aumento das chamadas decisões digitais invisíveis, escolhas feitas de forma automática, sem avaliação do impacto jurídico, operacional ou de segurança.

Relatórios globais de segurança da informação, como os da Verizon, IBM Security e PwC, apontam de forma consistente que o erro humano está entre as principais causas de incidentes digitais nas organizações. Compartilhamento de acessos, uso inadequado de credenciais e autorizações concedidas sem critério aparecem de forma recorrente como fatores de risco.

No ambiente corporativo, essas decisões se manifestam em situações comuns. Acesso a sistemas concedido para agilizar processos, assinaturas realizadas sem verificação do método de autenticação, plataformas utilizadas sem avaliação jurídica prévia. São atitudes que parecem inofensivas, mas que, acumuladas, criam fragilidades difíceis de rastrear.

O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), órgão responsável pela infraestrutura de chaves públicas no Brasil, destaca que a segurança jurídica no ambiente digital depende diretamente da forma como a identidade eletrônica é validada. Métodos frágeis de autenticação podem comprometer a rastreabilidade e a integridade de documentos, especialmente em contextos fiscais, contábeis e contratuais.

A LVR Certificadora observa que muitas empresas só se dão conta dessas fragilidades quando enfrentam auditorias, questionamentos legais ou necessidade de comprovação da validade de documentos assinados digitalmente.

“Grande parte dos problemas não nasce de ataques sofisticados, mas de decisões rotineiras tomadas sem reflexão. A tecnologia funciona, mas o uso automático cria riscos silenciosos”, afirma a empresa em nota institucional.

Estudos sobre comportamento digital também mostram que a busca por praticidade leva usuários corporativos a aceitar termos, permissões e autorizações sem leitura detalhada, priorizando a velocidade da operação. Esse padrão reforça a necessidade de uma mudança cultural, na qual segurança e consciência digital façam parte da rotina empresarial.

Para especialistas, maturidade digital não está relacionada apenas à adoção de ferramentas modernas, mas à capacidade de entender as consequências das escolhas feitas no uso dessas tecnologias. Cada acesso concedido, cada assinatura realizada e cada autorização aceita deixa um rastro que pode proteger ou expor a empresa ao longo do tempo.

Em um cenário cada vez mais digitalizado, o desafio não está apenas em inovar, mas em tomar decisões conscientes. As escolhas invisíveis feitas hoje são, muitas vezes, a origem dos problemas jurídicos e operacionais que surgem anos depois.

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